Sítio Arqueológico é identificado no vale do Rio Guaporé, estado do Mato Grosso

O estudo da cultura material traz contribuições para o histórico da ocupação humana da região

Local celebrado na História das pesquisas arqueológicas em nosso país, a região Centro-Oeste brasileira guarda um rico patrimônio cultural material. Com vestígios de ocupação humana que remonta ao menos 10.000 anos, essa região apresenta um contexto marcado por dinâmica ocupação do território, com tecnologias que indicam sequência ocupacional de grupos vocacionados à caça e coleta em períodos mais antigos, ocorrendo transição ou substituição para o modo de vida mais voltado à produção de alimentos via cultivo ou manejo de espécies vegetais. Neste espaço existe ainda um território marcado “simbolicamente” por meio de manifestações impressas na rocha (arte rupestre).

Com vegetação típica do cerrado e clima quente, os rios e riachos que cortam as formas do relevo na paisagem são atrativos e fonte de sobrevivência para os grupos humanos que habitaram esta região em um passado remoto e nos dias de hoje.

Este vasto contexto regional é, na sua justa medida, refletido em nível local, revelado pelas pesquisas arqueológicas realizadas no vale do rio Guaporé, na região dos municípios de Pontes e Lacerda, Vale de São Domingos e Jauru, Estado do Mato Grosso. As etapas de pesquisa aqui abordadas, estão relacionadas as fases de licenciamento ambiental da Linha de Transmissão 138 kV SE Nova Guaporé – SE Jauru, empreendimento do setor elétrico que abrange estes municípios.

No momento, a pesquisa encontra-se na etapa de avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico, que consiste no emprego da metodologia de pesquisa de campo composta pela execução de linhas de caminhamento e a escavação de poços-teste nas zonas de alto potencial arqueológico selecionadas na etapa anterior de pesquisa, conforme orienta a Instrução Normativa do IPHAN nº 001/2015.

Como resultado das duas etapas de pesquisa realizadas, foi identificado e delimitado o sítio arqueológico Fazenda Divino, que se encontra implantado numa paisagem marcada por relevo relativamente plano, na confluência do rio Guaporé e um afluente.

O sítio arqueológico Fazenda Divino é composto por fragmentos de material cerâmico dispersos sobre a superfície do terreno e sedimento cinza escuro.

Na região de desenvolvimento da pesquisa, também foram realizadas ações de divulgação e esclarecimento junto aos moradores das áreas mais próximas ao empreendimento. Nestas atividades, foram prestadas informações sobre a necessidade de realização da pesquisa arqueológica, destacando a importância da preservação do patrimônio arqueológico. Na oportunidade, foram distribuídos dois folders, um com conteúdo referente às etapas da pesquisa arqueológica no âmbito dos processos de licenciamento ambiental, e outro contendo informações sobre os principais aspectos culturais envolvendo os grupos humanos que habitaram o planalto central brasileiro antes da chegada dos europeus.

Estas ações contribuem para a socialização dos resultados das pesquisas arqueológicas junto à comunidade, despertando o interesse pelo tema e a necessidade de preservação do patrimônio arqueológico. Outra forma de compartilhar o conhecimento gerado nesta pesquisa, consiste na publicação desta nota nas redes sociais da Espaço Arqueologia, de forma que o público em geral possa ter acesso à informação principalmente no contexto social em que estamos vivendo.

Agora, após as orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a pesquisa poderá entrar em uma nova etapa em busca de entender um pouco mais sobre as dinâmicas dos grupos humanos que ocuparam a região num passado mais remoto, por meio das atividades de resgate e estudo do sítio arqueológico registrado.