Sambaqui Ponta do Lessa I: pesquisa e salvaguarda do patrimônio arqueológico na Baía Norte de Florianópolis

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O sítio arqueológico Ponta do Lessa I é um importante patrimônio cultural pré-colonial localizado em Florianópolis, Santa Catarina, na porção da Baía Norte (região da Agronômica/Trindade).

Ele se caracteriza como um sambaqui implantado sobre uma ponta rochosa cristalina e sedimentos litorâneos, servindo de testemunho da ocupação humana empreendida por pescadores-caçadores-coletores na Ilha de Santa Catarina.

O sítio foi documentado e pesquisado de forma sistemática pela primeira vez na década de 1960 pela arqueóloga Anamaria Beck e sua equipe.

As escavações iniciais, publicadas formalmente a partir de 1969, revelaram uma estratigrafia complexa composta por densos acúmulos de conchas, sedimentos de coloração cinzento escuta (terra preta) e ossos de peixes, típicos das populações que ocuparam o litoral catarinense entre os holocenos médio e tardio.

De acordo com as publicações científicas que tratam das pesquisas desenvolvidas sobre o sítio, o contexto arqueológico era composto, além de material conchífero e fauna, por artefatos líticos, sepultamentos e, nas camadas superiores, por fragmentos de cerâmica.

Atualmente, o estado de conservação do Sambaqui Ponta do Lessa I é considerado crítico. Por estar situado em uma área de intensa dinâmica costeira e pressão urbana na capital catarinense, o sítio sofre há décadas com a erosão provocada pelas ações das marés, que expõe constantemente seus perfis estratigráficos. Além disso, assim como outros sambaquis da região no século passado, ele sofreu impactos históricos decorrentes da retirada de conchas e da urbanização do entorno.

No intuito de garantir a salvaguarda dos remanescentes do sambaqui Ponta do Lessa I, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) vem promovendo ações para delimitar e cercar o sítio arqueológico.

Tais ações estão sendo executadas pela equipe da Espaço, contratada pelo Instituto por meio de licitação, e habilitada tecnicamente para desenvolver as pesquisas e aplicar as medidas necessárias.

A primeira etapa correspondeu à delimitação do sítio arqueológico. Esta ação contou com a realização de coleta de informações com moradores locais, aerofotogrametria, identificação de pontos de ocorrência de vestígios em superfície e escavação de poços-teste. Como resultado, obteve-se a delimitação do sítio, que ocupa uma área de 2270 m², formando uma poligonal irregular e alongada.
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