Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico em Mogi das Cruzes

Área prevista para implantação de empreendimento imobiliário é objeto do estudo

O primeiro estudo de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico executado pela Espaço Arqueologia na região metropolitana de São Paulo ocorreu no município de Mogi das Cruzes, em uma área que será destinada à implantação de um empreendimento imobiliário.

A região, também conhecida como Alto Tietê, é relativamente pouco estudada quando pensamos em Patrimônio Arqueológico, sendo que apenas 7 sítios arqueológicos foram mapeados no município até o momento. Destes, 6 são históricos e representam o período mais recente da história da ocupação humana na região, compostos por vestígios materiais associados aos períodos colonial e industrial, tendo em sua composição utensílios, ferramentas e estruturas próprias destes períodos. Um dos sítios é pré-colonial, caracterizado como uma área de ocupação de populações indígenas portadores da tradição tecnológica Tupiguarani. Nele são encontrados fragmentos de cerâmica sobre uma grande área, implantada no topo de uma colina.

Os sítios registrados representam uma pequena parcela do processo de construção desse território e dessa paisagem ao longo dos últimos milênios que, apesar de pequena, é muito relevante para a compreensão dos diferentes grupos culturais que viveram no espaço que hoje compreende o território de Mogi das Cruzes.

Outro aspecto importante relacionado a esses sítios é o fato de terem sidos identificados no contexto de estudos de Arqueologia Preventiva, demonstrando sua importância para a descoberta e salvaguarda do Patrimônio Arqueológico.

Na pesquisa desenvolvida pela equipe da Espaço Arqueologia, especificamente, não foram identificados vestígios de sítios arqueológicos. Na área pesquisada foram realizados caminhamentos sistemáticos e escavações de poços-teste, que abrangeram toda a área do empreendimento.

Para o coordenador de campo Raul Novasco, “apesar da disponibilidade de recurso hídrico, a inexistência de sítios arqueológicos no local pode estar associada ao alto grau de declividade e ondulação do terreno e à ausência de fontes de matéria prima para a produção de instrumentos líticos ou artefatos cerâmicos”.

O arqueólogo complementa que, apesar da não identificação de sítios arqueológicos, a pesquisa é considerada positiva no que se refere a salvaguarda do Patrimônio, uma vez que foi possível constatar que a instalação do empreendimento não resultará em danos aos bens arqueológicos.