Arqueologia no Planalto de Ivaiporã: avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico

Pesquisa arqueológica em Curitiba/PR
2 de abril de 2026
 

A região geomorfológica do Planalto de Ivaiporã foi objeto de pesquisas arqueológicas entre os meses de fevereiro e abril de 2026. Na ocasião, nossa equipe executou os estudos de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico na área de melhoria de uma rodovia estadual que liga os municípios de Lidianópolis e Manoel Ribas, no estado do Paraná.

Essa região tem como característica o relevo suave, menos acidentado do que os terrenos do entorno. Ao transitar pelo trecho da rodovia, implantada principalmente nos topos e divisores de água, verificam-se variações altimétricas suaves, que têm sua menor cota na margem esquerda do rio Ivaí, onde o trecho em estudo se inicia.

De acordo com o arqueólogo coordenador Valdir Schwengber, terrenos com essa característica apresentam alto potencial arqueológico, uma vez que abrigam nascentes e banhados de elevação, onde se obtêm água e diferentes recursos orgânicos; e afloramentos rochosos, onde é captada matéria-prima adequada para a produção de artefatos, como o arenito silicificado, comumente encontrado na região em sítios arqueológicos pré-coloniais.

Considerando o alto potencial arqueológico da região, que é atestado pela existência de dezenas de sítios arqueológicos registrados nos municípios abrangidos pela pesquisa (Lidianópolis, Jardim Alegre, Ivaiporã e Manoel Ribas), a equipe executou pesquisas sistemáticas nas áreas que serão afetadas pelas obras de melhoramento da rodovia.

Tais pesquisas consistiram na execução de prospecções superficiais e subsuperficiais ao longo de todo o trecho. As prospecções superficiais ocorreram por meio de caminhamentos sistemáticos e verificações exploratórias da superfície ou áreas com perfis expostos; já as prospecções de subsuperfície ocorreram a partir da escavação de poços-teste.

Como resultado das investigações executadas, não foram identificados sítios arqueológicos; contudo, foi encontrado um bem arqueológico móvel isolado. Quando um bem arqueológico é encontrado isolado e sem contexto, é considerado uma “ocorrência arqueológica”.

Essa ocorrência trata-se de um artefato lítico produzido a partir de técnicas de lascamento. O material, que foi recolhido e levado ao laboratório da Espaço, foi submetido ao processo de curadoria e análise, e será enviado à Instituição de Guarda e Pesquisa que endossa a pesquisa.

Também como parte do Programa de pesquisa, foram realizadas ações de extroversão e divulgação dos bens culturais acautelados na região, que, no presente caso, se restringem aos sítios arqueológicos. Nessas ações, foram contatados moradores e trabalhadores das áreas urbanas dos municípios citados. A eles, além de informações orais, foram transmitidos materiais didático-informativos sobre a arqueologia regional.

Por fim, cabe destacar que a pesquisa executada tem como objetivo o atendimento à Lei nº 3.924/61 e seguiu os procedimentos previstos na Instrução Normativa IPHAN nº 01/2015 e na Portaria IPHAN nº 271/2025, no que tange ao tratamento do bem arqueológico móvel.
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