Pesquisa arqueológica no Bairro Floresta, em Joinville

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Estudo faz parte do licenciamento de um empreendimento imobiliário

Joinville é um grande polo cultural, econômico e industrial de Santa Catarina, tendo como principais atividades econômicas a fabricação de eletrodomésticos, a indústria têxtil e de produtos plásticos, o desenvolvimento tecnológico e a fundição. Mas de acordo com registros arqueológicos descobertos até hoje, sua história remonta mais de 8 mil anos.

O contexto arqueológico da maior cidade do estado evidencia uma ocupação territorial bastante antiga, representada principalmente pelos sítios arqueológicos Sambaquis. Em toda a Baía da Babitonga, são mais de 170 sítios arqueológicos pré-coloniais mapeados, sendo 44 deles localizados no município de Joinville. Esta grande quantidade de evidências materiais demonstra que desde o período pré-colonial as populações humanas encontraram nesta região, a partir de seus recursos naturais e sua localização estratégica, elementos favoráveis para praticarem atividades de caça, pesca, coleta de subsistência e, posteriormente, a agricultura.

Em tempos mais recentes, a partir do século XVII, esta região passou também a ser ocupada por populações de origem portuguesa, açoriana e africana. Na segunda metade do século XIX, os processos imigratórios na região se intensificam com a instalação da Colônia Dona Francisca. A respeito desse período, também há importantes achados arqueológicos que contribuem para construção da história recente da região.

Foi nesse cenário que, no mês de outubro de 2020, pesquisadores da Espaço Arqueologia executaram um programa de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico na comunidade do Bairro Floresta, seguindo à Lei n° 3924/61 e à Instrução Normativa IPHAN n° 01/15.

Apesar do local investigado estar localizado em uma área urbanizada, foi necessário realizar prospecções para avaliar se a implantação de um empreendimento imobiliário não impactaria sobre os bens arqueológicos de qualquer um dos períodos citados acima.

Dessa forma, foram aplicados os procedimentos metodológicos de prospecção superficial e subsuperficial – caminhamentos sistemáticos e escavação de poços-teste – contudo, nenhum vestígio arqueológico foi identificado. Além das intervenções executadas, foram realizadas conversas com moradores do entorno da área prospectada (seguindo os protocolos recomendados considerando a pandemia da COVID-19), nas quais, além de questionar se algum vestígio arqueológico já havia sido encontrado nas imediações da área estudada, foram apresentadas informações sobre a pesquisa realizada.

Estudos preventivos como este são fundamentais para que as políticas de salvaguarda e valorização do patrimônio arqueológico sejam efetivas e, ao mesmo tempo, permitem que diversas áreas do território catarinense sejam arqueologicamente conhecidas.