Arqueologia em Lages, Santa Catarina

Arqueologia no Vale do Rio do Sono, estado de Minas Gerais
4 de dezembro de 2025
Pesquisa arqueológica em Grão Mogol e Cristália, Minas Gerais
18 de dezembro de 2025
 

O município de Lages, situado no Planalto Serrano de Santa Catarina, possui 118 sítios arqueológicos registrados. Desse total, 54 correspondem a sítios pré-coloniais, associados a diferentes tradições culturais indígenas, e 64 são históricos, relacionados a processos de ocupação luso-brasileira, tropeirismo e presença afrodescendente. Os sítios pré-coloniais incluem oficinas líticas, sítios a céu aberto e complexas estruturas de pisos rebaixados (casas subterrâneas) ou monticulares; já os sítios históricos abrangem ruínas de antigas fazendas, muros de taipa e estruturas associadas a atividades produtivas e religiosas.

Entre os registros arqueológicos de Lages, destaca-se o Sítio Passo Fundo I, que é composto por quatro estruturas principais: uma plataforma circular, dois montículos e um montículo com vala. Escavações realizadas pela equipe do CEOM/Unochapecó revelaram fragmentos cerâmicos, carvões, argilas queimadas e blocos de arenito reorganizados, indicando intensa atividade humana e possível uso cerimonial.

O Sítio Passo Fundo I está localizado em uma área de expansão urbana do município de Lages e, entre os meses de novembro e dezembro de 2025, a equipe da Espaço realizou estudos de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico na área de um loteamento localizado a menos de 500 metros do sítio.

O estudo faz parte do processo de licenciamento ambiental e tem como objetivo verificar a ocorrência de contextos arqueológicos na área do empreendimento. A área, que possui características geográficas semelhantes ao local de implantação do Sítio Passo Fundo I, apresenta alto potencial arqueológico e, por isso, pesquisas sistemáticas e intensivas foram executadas por meio de poços-teste e varreduras de superfície.

Como resultado, não foram identificados contextos arqueológicos na área do loteamento.

Contudo, conforme destaca o arqueólogo Valdir Luiz Schwengber, coordenador da pesquisa, dada a tendência de crescimento urbano dessa região do município, é importante que medidas de proteção sejam adotadas para evitar que o Sítio Passo Fundo I seja impactado.

Ainda segundo Schwengber, para garantir a salvaguarda desse importante exemplar do patrimônio arqueológico regional, é fundamental que sejam desenvolvidas ações que busquem o engajamento da comunidade nessa direção. Desse modo, ações de esclarecimento e divulgação sistemáticas, como as que foram realizadas no âmbito do programa de Avaliação de Impacto, são necessárias.

Por fim, é importante destacar que, assim como os demais sítios arqueológicos, o Sítio Passo Fundo I tem sua preservação assegurada pela Lei nº 3.924/61, que reconhece todos os bens arqueológicos como propriedade da União.
SOLICITE ORÇAMENTO